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Vicente Ferreira abre a 5ª temporada do IR Talks com visão estratégica sobre narrativa, conteúdo e maturidade em RI

No episódio de estreia da 5ª temporada do IR Talks, executivo da TIM mostra como curiosidade, profundidade no negócio e conteúdo bem construído viram vantagem competitiva na comunicação com o mercado

A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), apresentou no dia 12 de fevereiro o primeiro episódio da temporada 2026 do IR Talks, o primeiro talk show do mercado de capitais. Começando o ano com chave de ouro, o programa recebeu Vicente Ferreira, Vice-Presidente de Relações com Investidores e Estratégia da TIM, que compartilhou a trajetória de mais de duas décadas na companhia e trouxe insights práticos sobre aprendizado em RI, leitura de mercado, gestão de base acionária e o papel do conteúdo na era das plataformas de IA.

Com uma conversa direta e cheia de “bastidor real”, Vicente reforçou uma visão que atravessa toda a entrevista: RI não é só sobre responder pergunta, é sobre entender profundamente o negócio, antecipar contextos e construir uma narrativa com robustez de conteúdo. “O profissional de RI precisa ser capaz de, o mais profundamente possível, conhecer sobre o negócio da empresa na qual ele trabalha e do setor no qual ele está inserido”, afirmou.

Da engenharia ao RI: uma chegada nada óbvia que virou carreira

Vicente contou que sua entrada em Relações com Investidores não foi linear. Formado em Engenharia Eletrônica de Computação, iniciou a carreira em ambientes técnicos, passou por TI (inclusive como estagiário da própria TIM), migrou para áreas de negócios como marketing e precificação, e só depois fez a virada para o universo de RI.

A transição, segundo ele, foi acelerada por um traço pessoal: o hábito de aprender “na raça”, com método e autonomia. “Eu sempre fui um cara meio autodidata”, comentou, lembrando que buscou referências práticas logo no início, inclusive livros internacionais sobre como estruturar um programa de RI  para encurtar a curva de aprendizado.

Imersão no mercado: “centro do capitalismo” logo no primeiro mês

Um dos momentos mais marcantes do episódio foi o relato da primeira viagem internacional de Vicente já como gerente de RI: Nova York, com investidores, em poucas semanas de área. Ele descreveu a experiência como uma mistura de entusiasmo e pressão, ao mesmo tempo em que destacou o valor desse tipo de exposição para a formação do profissional.

Mais do que o conteúdo técnico, Vicente chamou atenção para o que se aprende na prática: leitura de ambiente, postura do investidor, forma de resposta do executivo e até linguagem corporal. “Prestar atenção no investidor… não só do ponto de vista do conteúdo, mas do ponto de vista da forma, do ponto de vista do body language”, explicou.

Para ele, esses aprendizados são difíceis de “ensinar em sala” e são construídos no dia a dia, em interações reais com o mercado.

Conhecimento do negócio: o atalho mais honesto para virar estratégico

Ao longo da conversa, Vicente reforçou que conhecer a companhia por dentro foi uma vantagem importante ao assumir RI, mas deixou claro que esse não é um pré-requisito impossível. O ponto, na visão dele, é que o profissional precisa correr atrás desse repertório com curiosidade e disciplina.

“É possível você comunicar sem conhecer tanto? É, mas é bem mais difícil”, disse, alertando que investidores e analistas percebem rapidamente quando falta profundidade. Na prática, a mensagem é direta: sem entendimento do negócio, a narrativa fica frágil.

Base acionária, leitura de fluxo e ação proativa

No bloco sobre rotina de RI, Vicente detalhou os acompanhamentos que orientam decisões do dia a dia, com destaque para dois temas que ele chamou de “paixão”:

  • Relatórios de acompanhamento de base acionária, combinando ADR e ações locais;

  • Leituras de oscilação e fluxo, com análise por corretoras, conversa com market maker e checagem posterior de movimentação por acionista.

Segundo ele, entender movimentos de preço nem sempre é simples, às vezes é fluxo, às vezes é conjuntura e acompanhar a base ajuda a montar uma leitura mais completa para compartilhar internamente com CEO e CFO quando necessário.

Canais digitais e a era do conteúdo: do SEO para IA

Quando o assunto virou comunicação digital, Vicente foi bem realista: a TIM testou várias redes e formatos ao longo do tempo. inclusive iniciativas antigas como perfil de RI no Twitter  mas o que permaneceu com consistência foi o LinkedIn, sobretudo com viés institucional.

Ao mesmo tempo, ele trouxe um ponto atual e estratégico: o conteúdo agora precisa existir para além da busca tradicional. Com a expansão de ferramentas de IA e modelos de linguagem, a preocupação passa a ser construir um repositório robusto e bem organizado, com fontes confiáveis e materiais que alimentem consultas futuras.

Ele explicou que a TIM tem trabalhado de forma integrada com Press Release para garantir consistência entre comunicados, atualizações do site, materiais e iniciativas como uma área de “biblioteca” no portal de RI. A lógica é clara: quanto mais bem estruturado o conteúdo, maior a chance de o mercado acessar informações com acuracidade, independentemente do canal.

Investor Day: evento só faz sentido quando cria valor

Ao falar de Investor Day, Vicente defendeu a importância do formato, mas com uma ressalva objetiva: não faz sentido fazer evento “pelo evento”. Precisa ter conteúdo novo, robustez de mensagem e clareza do que o mercado ainda não entendeu, seja parte do “equity story” mal precificada, seja uma atualização estratégica que merece aprofundamento.

Ele também comentou diferenças de frequência entre Brasil e mercados externos, lembrando que, lá fora, muitas companhias tratam o Capital Markets Day como um evento mais espaçado,  justamente para garantir densidade de conteúdo.

Considerações finais: 

Fechando o episódio, Vicente sintetizou sua visão sobre narrativa em RI: ela nasce do conhecimento do conteúdo, do entendimento da cultura da companhia e da escolha certa de canal e porta-voz. Para ele, não basta ter mensagem, é preciso saber entregar.

Na fala final, ele deixou três direções para profissionais que querem crescer em RI: curiosidade constante, profundidade no negócio e atenção equilibrada ao conteúdo e à forma.

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