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Mara Boaventura Dias discute no IR Talks estratégia, tecnologia e o RI da JHSF em um novo momento histórico da companhia
Mara Boaventura Dias fala sobre carreira, tecnologia, investor relations e construção estratégica no IR Talks
A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), apresentou mais um episódio do IR Talks, o primeiro talk show do mercado de capitais. O programa recebeu Mara Boaventura Dias, Diretora de Relações com Investidores da JHSF, entrevistada pelo Cássio Rufino, compartilhou sua trajetória profissional, sua visão sobre o papel estratégico do RI e reflexões práticas sobre tecnologia, narrativa, relacionamento com investidores e desenvolvimento de equipe.
Com mais de 20 anos de experiência na área, Mara conduziu a conversa a partir de uma perspectiva bastante concreta do dia a dia de RI. Ao longo do episódio, abordou as habilidades necessárias para crescer na carreira, a importância de estudar continuamente, o uso de inteligência artificial e ferramentas analíticas, os desafios de comunicar uma companhia com modelo de negócio singular e o esforço constante para tornar o RI cada vez mais estratégico.
Uma trajetória construída com curiosidade, adaptação e profundidade
Mara contou que sua entrada em Relações com Investidores aconteceu logo no início da carreira, quando ingressou em uma consultoria de RI como trainee, sem conhecer profundamente a área. A identificação, no entanto, foi imediata. Segundo ela, o RI reúne elementos que sempre fizeram sentido em sua formação e em seu perfil: finanças, comunicação, análise, relacionamento e aprendizado constante.
Ao longo dos anos, passou por diferentes setores, acumulou experiência em empresas e contextos diversos e consolidou uma trajetória marcada pela evolução técnica e pela ampliação de repertório. Hoje, na JHSF, leva para o mercado uma visão madura sobre o papel do RI e sobre a necessidade de ir além da rotina operacional. Na conversa, reforçou que a curiosidade é uma característica central para quem deseja se desenvolver na área, justamente porque o profissional de RI precisa entender o negócio, o mercado, os concorrentes e os movimentos que impactam a companhia.
RI estratégico exige resiliência, flexibilidade e capacidade de aprender
Durante o episódio, Mara destacou três soft skills que considera decisivas para a formação de um bom profissional de RI: resiliência, flexibilidade e curiosidade. Na sua visão, a resiliência é indispensável porque a área opera sob pressão constante, com prazos regulatórios apertados, mudanças de cenário e momentos de volatilidade. Já a flexibilidade é o que permite ao RI transitar entre agendas diferentes, ampliar escopo e acompanhar transformações do mercado. A curiosidade, por sua vez, é o que sustenta a profundidade necessária para fazer perguntas melhores, entender contextos e explicar a companhia com mais segurança.
Na frente de hard skills, Mara ressaltou a importância da comunicação, da leitura financeira e do domínio do inglês. Para ela, o RI é uma função intensamente conectada à troca com o mercado, seja por e-mail, calls, reuniões ou conferências. Ao mesmo tempo, exige capacidade analítica para interpretar números, resultados e performance com consistência. Em um mercado globalizado, a fluência em inglês também aparece como requisito praticamente obrigatório para profissionais que desejam atuar em companhias com maior exposição a investidores estrangeiros.
Narrativa e clareza ganham força quando o investidor conhece o negócio na prática
Ao falar sobre a JHSF, Mara destacou um elemento central para a construção de narrativa da companhia: a possibilidade de aproximar investidores e analistas dos ativos reais e da experiência concreta do negócio. Por atuar em um ecossistema bastante singular, a empresa exige um esforço adicional de tradução para o mercado, especialmente porque não há um comparável direto no segmento na Bolsa brasileira.
Nesse contexto, site visits recorrentes ganham papel estratégico. Mara explicou que, muitas vezes, entender a companhia exige ir além da planilha. Conhecer ativos, observar a operação e vivenciar a proposta de valor do negócio ajuda investidores e analistas a interpretar com mais precisão o que os números representam. A executiva destacou ainda o uso de imagens, vídeos e materiais mais visuais como instrumentos importantes para tornar essa narrativa mais tangível.
Evolução contínua: studying peers, perception e aprimoramento de materiais
Outro ponto forte da conversa foi a defesa de uma postura de evolução constante. Mara afirmou que, para ser um RI mais estratégico, é preciso estudar pares, observar como outras companhias divulgam seus resultados, revisar formatos de apresentação e identificar onde a comunicação pode melhorar. Nesse processo, ferramentas como perception studies também aparecem como apoio relevante para entender a leitura do mercado e ajustar a estratégia de relacionamento.
A executiva reforçou que essa busca por evolução não se limita ao discurso. Ela mencionou o esforço contínuo da equipe para revisar formatos de call, inovar na forma de apresentar informações e desenvolver projetos estruturantes, como o novo site da companhia, com apoio da MZ. A visão apresentada ao longo do episódio deixa claro que, no RI, a construção de narrativa não é estática: ela precisa ser testada, aperfeiçoada e alinhada ao que o mercado efetivamente precisa compreender.
Tecnologia, automação e IA como aliadas do RI
A tecnologia também ocupou espaço central no episódio. Mara compartilhou como a área utiliza ferramentas da Microsoft, como o Copilot, para resumir reuniões, organizar follow-ups e integrar informações ao CRM. Segundo ela, o uso da inteligência artificial já faz parte da rotina e ajuda a transformar conversas em registros mais analíticos, com apoio prático à gestão do relacionamento com investidores.
Além da IA, a executiva destacou o uso intensivo de Power BI e automações para alimentar relatórios e releases. Na JHSF, parte relevante da atualização numérica já acontece de forma automatizada, reduzindo o trabalho manual e aumentando a eficiência de um time enxuto. Para Mara, esse tipo de tecnologia deve funcionar como suporte para liberar o profissional das tarefas operacionais e permitir foco maior naquilo que realmente agrega valor: análise, estratégia e relacionamento.
Relacionamento com investidores exige disponibilidade, organização e inteligência de agenda
Ao longo da conversa, Mara também falou sobre a dinâmica de relacionamento com o mercado. A companhia participa de conferências no Brasil e no exterior, realiza reuniões com frequência e busca atender diferentes perfis de público, incluindo investidores institucionais, credores e um número relevante de investidores pessoa física. Segundo ela, a priorização interna leva em conta a senioridade das reuniões e a capacidade de dividir a agenda entre os integrantes do time, sem deixar de atender as demandas que chegam.
Nesse contexto, Mara comentou ainda a importância de acompanhar relatórios e indicadores que ajudem a orientar decisões. Entre os materiais mais relevantes da sua rotina, citou um relatório diário de movimentação da base acionária com inteligência agregada por casa e conexão com o CRM, além de um relatório semanal sobre atividades de RI, reuniões, conferências e interações com diferentes públicos. Para ela, esse tipo de acompanhamento não apenas apoia o time, mas também gera inteligência útil para o C-Level e para o Conselho.
Investor Day, site visits e contato direto com a liderança
Ao comentar a importância de formatos como Investor Day, Mara observou que, mesmo sem realizar um evento formal recente com esse nome, a companhia promove experiências bastante próximas desse modelo por meio dos site visits. Nesses encontros, o RI atua nos bastidores, enquanto os líderes e responsáveis pelos negócios apresentam diretamente seus ativos, estratégia e operação aos públicos convidados.
Na avaliação da executiva, esse contato direto é extremamente relevante porque permite uma troca mais rica entre quem está fora e quem vive o negócio no dia a dia. Mais do que apresentar dados, esses momentos criam contexto, ampliam entendimento e fortalecem a qualidade da interação entre companhia e mercado.
Desenvolvimento de equipe e formação de novos profissionais
Na parte final do episódio, Mara falou sobre liderança e formação de equipe. Para ela, desenvolver profissionais de RI passa por investir em conhecimento, dar exposição, incentivar participação em eventos, conferências e reuniões, e mostrar, na prática, como a área pode abrir caminhos dentro da companhia. Ao compartilhar sua experiência, reforçou que o RI oferece uma visão ampla do negócio e cria contato com múltiplas áreas, o que torna a função especialmente rica para quem quer crescer.
Como mensagem final aos profissionais que desejam se destacar, Mara foi direta: estudar continua sendo o principal diferencial. Ler, comparar, entender outras empresas, acompanhar tecnologias e manter a curiosidade ativa são atitudes que fortalecem a capacidade de análise e tornam o profissional mais preparado para contribuir de forma estratégica. Em um ambiente cada vez mais dinâmico e exigente, sua fala reforça que o desenvolvimento no RI depende menos de fórmulas prontas e mais de repertório, consistência e disposição genuína para aprender.
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Cássio Rufino é COO da MZ, empresa líder em soluções para relações com investidores. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, possui pós-graduação em Finanças Corporativas pelo Insper e MBA Executivo em Finanças pela mesma instituição. É especialista em comunicação financeira e criador do método dos 3Cs, que já ajudou dezenas de RIs a gerar mais valor através da comunicação financeira.
Sobre a MZ
A MZ é líder global em soluções de comunicação para Relações com Investidores, transformando a forma como as empresas se conectam com seus públicos estratégicos. Por meio de tecnologia avançada e uma equipe altamente especializada, fornecemos as melhores ferramentas para fortalecer a transparência e a confiança das empresas junto aos investidores. Acreditamos que uma comunicação eficiente é a chave para a construção de relações duradouras e para o sucesso no mercado de capitais.