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Quando comunicar deixa de ser “ótimo ter” e vira vantagem competitiva

Equipe Comunicação Externa & Pesquisa

Em um ambiente onde o fluxo de informações é instantâneo e o investidor espera mais do que um release trimestral, a performance de mercado, medida principalmente por variáveis como variação de preço, liquidez e valor de mercado, se tornou um termômetro não só da execução operacional da companhia, mas da eficácia da sua comunicação com o mercado.

Pensando nisso, a MZ, que tem como foco empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, ou por meio da disseminação de conteúdos relevantes, publicou seu estudo Performance de Mercado das Empresas Brasileiras em 2025, em que analisou a trajetória de 291 companhias com ações negociadas em bolsas nacionais e internacionais, com foco em indicadores que impactam diretamente a percepção de risco, a liquidez dos papéis e, consequentemente, o custo de capital das empresas. A amplitude da análise inclui performance por faixa de valor de mercado, presença em diferentes bolsas (como B3, NYSE e Nasdaq), e reconhecimento da importância da comunicação digital no engajamento com investidores.

Mais do que revelar tendências, esse trabalho mostra como números e narrativa caminham lado a lado na construção de valor, o que é um ponto essencial para profissionais de RI, CFOs e líderes corporativos que desejam transformar seus relatórios e apresentações em uma estratégia de mercado eficaz. 

 

Performance de mercado em números: o que os dados revelam

  • Uma visão geral da performance em 2025

A análise mostrou que 65,3% das empresas tiveram valorização das ações ao longo de 2025, indicando um saldo positivo predominante no ano. Essa perspectiva amplia a compreensão de como o mercado respondeu ao conjunto de resultados corporativos e às perspectivas macroeconômicas que se desenrolaram ao longo do período. 

Além disso, as empresas com maior valor de mercado, especialmente aquelas situadas na faixa entre R$10 bilhões e R$50 bilhões, registraram uma taxa de desempenho positivo mais expressiva (cerca de 89%). Essa concentração de performance favorece títulos com maior participação de investidores institucionais e oferece uma reflexão importante sobre a relação entre escala de capital e atratividade de mercado. 

Esse padrão não é isolado: em todas as análises anteriores da MZ (como nos estudos dos primeiros semestres de 2025), empresas com maior liquidez e valor de mercado consistentemente mostraram resiliência e capacidade de recuperação mais rápida frente a choques externos ou volatilidade setorial. 

  • Comunicação digital e performance: o papel das redes sociais

Um dos achados mais interessantes do Estudo foi observar a relação entre comunicação ativa em canais digitais e desempenho de mercado. Especificamente, companhias que publicaram seus resultados no LinkedIn apresentaram desempenho positivo em 77,2% dos casos, comparado com 51,1% entre as que não utilizaram esse canal com a mesma consistência.

Esse dado não justifica causalidade direta, ou seja, nem sempre comunicar no LinkedIn garante performance. Mas a correlação observada indica que empresas que investem em comunicação estruturada e omnicanal tendem a engajar melhor seus públicos-alvo, aumentar a transparência e reduzir incertezas percebidas pelos investidores. 

Comunicação eficaz não é apenas exposição: é contextualização, previsibilidade e coerência narrativa que agregam valor na percepção dos investidores, sejam eles institucionais ou de varejo.

 

Porque comunicação financeira impacta liquidez e custo de capital

  • Assimetria de informação e custo de capital

Em mercados eficientes, a assimetria de informação, quando alguns investidores possuem mais ou melhor informação que outros, prejudica a formação de preços justos e aumenta a volatilidade. Quando isso ocorre, investidores exigem um prêmio maior para se expor aos papéis, o que eleva o custo de capital da empresa.

A comunicação clara, recorrente e contextualizada reduz essas assimetrias, pois coloca o mercado em um nível de entendimento mais próximo, independentemente do investidor ser profissional ou não (também conhecido como de varejo). Essa redução de assimetria tende a diminuir as exigências de retorno pelo investidor, tornando o capital mais barato para a companhia a longo prazo.

Não por acaso, políticas de dividendos bem articuladas, quando comunicadas estrategicamente, podem reforçar a governança corporativa e contribuir para a previsibilidade da geração de caixa, elementos que reforçam a percepção de qualidade de gestão e reduzem o risco percebido pelo mercado. 

  • Liquidez: o combustível da eficiência de mercado

Liquidez não é apenas volume de negociação: é facilidade de entrar e sair de uma posição sem impactar significativamente o preço. Empresas que comunicam com consistência e transparência tendem a ter maior cobertura de analistas, mais engajamento de investidores e, consequentemente, maior liquidez em bolsa.

Esse efeito é duplo:

  • Para o investidor, maior liquidez significa menor risco de execução e maior confiança na formação de preços.
  • Para a empresa, uma maior liquidez reduz o spread de negociação e torna os papéis mais atrativos em diferentes cenários de investimento.

A liquidez elevada não se constrói apenas com volume, mas é também fruto de uma base acionária ativa, engajada e diversificada, favorecida pela comunicação contínua e pela participação em eventos e canais relevantes. 

 

Comunicação estruturada: melhores práticas em RI

  • Narrativa corporativa e storytelling estratégico

Narrativa corporativa vai além da apresentação de números. Ela deve responder a perguntas que investidores gostariam de fazer antes mesmo de formulá-las:

  • Como essa companhia cria valor ao longo do tempo?
  • Como seus resultados se conectam à estratégia de longo prazo?
  • Quais riscos e oportunidades estão sob controle da gestão?

Uma narrativa robusta deve ser coerente entre releases, apresentações, teleconferências, sites de RI e canais digitais. Consistência narrativa reduz ruído de informação e fortalece a percepção de governança. Isso, por sua vez, tem efeito direto na precificação de risco e no custo de capital.

  • Engajamento proativo com investidores

Engajamento não se resume ao envio de material ou realização de eventos. Trata-se de uma diálogo de ida e volta:

  • Responder a dúvidas de analistas e investidores institucionais.
  • Monitorar a cobertura de sell-side e buy-side.
  • Utilizar métricas para entender temas prioritários para o mercado.

Esse tipo de aproximação ajuda a identificar lacunas na comunicação e a ajustar a narrativa antes que ela gere volatilidade desnecessária.

  • Digital como pilar de comunicação

Dados do Estudo reforçam que presença digital ativa, especialmente em plataformas como o LinkedIn, correlaciona-se com melhor engajamento do mercado. Utilizar redes sociais não é “jabá”: é ampliar a audiência qualificada da mensagem institucional, calibrando o tom, a frequência e os formatos de conteúdo para diferentes públicos.

Além disso, websites de RI bem estruturados, com um SEO bem trabalhado, com fácil navegação e acesso a histórico de resultados, políticas e governança, se tornam uma referência de consulta constante, principalmente em uma época onde os robôs acessam tudo e a toda hora, e não apenas durante períodos de divulgação de resultados ou eventos. 

 

O profissional de RI como arquiteto da percepção de mercado

  • Monitoramento contínuo

O Estudo mostra que performance de mercado é multifacetada. Para o profissional de RI, isso significa que a rotina não pode ser reativa e é necessário monitoramento contínuo de indicadores, de movimentos da base acionária, da percepção de analistas e da cobertura de mídia especializada.

  • Planejamento estratégico

RI não é apenas operacional. Estruturar um calendário que contemple eventos, divulgação de resultados, roadshows, atualizações, conferências e comunicação digital exige planejamento estratégico alinhado ao modelo de negócio da companhia.

  • Métricas que importam

Ter métricas claras como variação de preço ajustada, liquidez média diária e engajamento em canais digitais permite correlacionar ações de comunicação com performance de mercado. Isso eleva o RI a um papel de direcionador de decisões corporativas, em vez de executor de tarefas pontuais.

 

Concluindo em um parágrafo ou mais 

O Estudo Performance de Mercado das Empresas Brasileiras em 2025 vai além de números: revela que comunicação financeira consistente, transparente e estratégica é um pilar de vantagem competitiva. Ela impulsiona a liquidez, reduz o custo de capital, fortalece a governança e melhora a percepção global da companhia diante de diferentes públicos.

Os números mostram que empresas com maior visibilidade e engajamento tendem a performar melhor no mercado acionário, e isso não é mero acaso, mas sim o reflexo de um trabalho disciplinado de construção de narrativa e relacionamento com o mercado.

Para profissionais de RI, executivos financeiros e conselhos, a mensagem é clara: comunicação não é custo, é engenharia de capital. Investir em RI é investir na capacidade da companhia de contar sua história, reduzir assimetrias informacionais e criar valor sustentável no mercado de capitais.

Esperamos ter ajudado com esses insights do Estudo, que pode ser encontrado aqui e, qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉

 

Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ

imprensa@mzgroup.com | (11) 94242-5988

 

Sobre a MZ

Na MZ, é referência global na criação de conteúdos informativos e educativos que geram valor real para as companhias, ajudando-as a se manterem atualizadas e preparadas para os desafios do mercado de capitais. Nossa abordagem é estratégica, com foco em fortalecer o entendimento sobre práticas de governança, comunicação financeira e relações com investidores. Acreditamos que, por meio de conteúdo de qualidade, podemos apoiar as empresas a aprimorar sua comunicação, elevar sua reputação e agregar valor sustentável aos seus negócios.

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