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Insights Valiosos sobre os Formulários de Referência em 2025
O Formulário de Referência é um documento obrigatório para todas as empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), que devem enviar anualmente, até o final de maio, o documento à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O documento reúne, de forma padronizada, as principais informações sobre a estrutura societária, estratégia, riscos e governança da companhia. Ao oferecer uma visão abrangente do negócio, o Formulário de Referência apoia a transparência e permite que investidores e analistas tomem decisões mais embasadas.
Cada vez mais, a transparência é a base de qualquer relação de confiança no mercado financeiro. Nesse contexto, o Formulário de Referência é um instrumento essencial para assegurar que os investidores tenham acesso a informações completas e confiáveis sobre as empresas nas quais desejam investir. Ao fornecer dados estruturados e consistentes, o documento fortalece a tomada de decisão e contribui para relações mais sólidas entre as companhias e seus stakeholders. Além disso, para as companhias, ele representa uma oportunidade de demonstrar compromisso com boas práticas de governança corporativa e de mostrar alinhamento às normas e expectativas do mercado.
O Formulário de Referência, quando explorado de forma estratégica, atua como muito mais do que uma obrigação regulatória, representando uma vitrine institucional capaz de fortalecer a reputação corporativa, reduzir o custo de capital e construir uma narrativa empresarial coesa com os valores e práticas da companhia.
Pensando nisso, a MZ, que tem como foco empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, ou por meio da disseminação de conteúdos relevantes, divulgou o Estudo Global do Formulário de Referência 2025, que traz análises valiosas sobre os documentos de 425 companhias abertas, fornecendo um excelente parâmetro de comparação. Com apoio da B3, do IBRI e do Acionista.com.br, a MZ realizou um webinar público para debater o tema, contando com participações valiosas.
A questão ESG e o Formulário de Referência
A crescente relevância das questões ESG (ambiental, social e governança) no mercado financeiro tem se refletido de forma contundente no Formulário de Referência, transformando-o em uma ferramenta essencial para a comunicação desses compromissos pelas companhias. A existência de itens específicos voltados às questões ESG no documento ressalta a importância do tema no mercado financeiro.
De acordo com o Estudo Global do Formulário de Referência 2025 da MZ, 65,6% das empresas analisadas afirmam já adotar práticas ESG. Essa adoção não se limita apenas à implementação de ações, mas também à sua divulgação de forma padronizada, sendo que 93,5% das empresas optam por reportar suas iniciativas ESG anualmente. O principal canal para essa comunicação é o Relatório de Sustentabilidade, citado por 65,4% das companhias.
A credibilidade dessas informações é um ponto crucial, e o estudo da MZ destaca que 50,9% das companhias que reportam práticas ESG submetem seus dados à verificação por uma entidade independente. Entre as entidades mais procuradas para essa auditoria ou revisão, a KPMG se destaca, sendo mencionada por 24,5% das empresas, seguida pela PwC, com 12,6%. Essa busca por validação externa reforça o compromisso com a transparência e a confiabilidade das informações ESG divulgadas.
Ainda no âmbito da pauta ESG, o alinhamento com padrões globais de sustentabilidade também é uma tendência evidente. O estudo revela que 92,1% das empresas que adotam práticas ESG consideram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em suas estratégias. Além disso, 58,1% delas afirmam seguir as recomendações da TCFD (Força Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima).
Diversidade nas Empresas
A discussão sobre diversidade nas empresas tem ganhado cada vez mais força, ainda mais em companhias abertas. O Formulário de Referência (FRE) tem se tornado um canal vital para as companhias exporem seus dados nesse quesito, permitindo que investidores e stakeholders avaliem o compromisso das empresas com a inclusão. O Estudo da MZ lança luz sobre o cenário atual, revelando dados que sublinham a importância e, ao mesmo tempo, os desafios da diversidade no setor.
Um dos pontos mais notáveis é a ainda significativa sub-representação feminina em posições de alta liderança. Nos Formulários de Referência de 2025, entre os mais de 2 mil integrantes das diretorias executivas, apenas 13,8% se declararam do gênero feminino. Esse desequilíbrio se mantém nos Conselhos de Administração e Fiscais, onde as mulheres ocupam apenas 16,4% das posições. Tais números refletem a necessidade de maior inclusão feminina nos espaços corporativos, uma vez que a diversidade de gênero enriquece a tomada de decisões e a inovação.
A análise da MZ também explora a declaração de cor e raça nas diretorias executivas e nos conselhos, evidenciando um padrão consistente de composição predominantemente branca. A maioria esmagadora tanto na Diretoria Executiva quanto nos Conselhos de Administração e Fiscais se declarou branca, representando 84,9% e 82,5%, respectivamente. Em contraste, a representatividade de pessoas autodeclaradas pardas é de 4,9% na Diretoria Executiva e 3,6% nos Conselhos, e de pessoas pretas é de 0,2% e 0,6%, respectivamente. Esse cenário aponta que, apesar do avanço das discussões sobre diversidade, a distribuição racial nessas altas esferas de governança corporativa ainda reflete poucas mudanças em relação a anos anteriores.
A relevância de abordar a diversidade no Formulário de Referência vai além do cumprimento de normas. Conforme o estudo sugere, as lacunas de diversidade devem ser exploradas como oportunidades. Se os dados de diversidade são baixos, as empresas podem utilizar o FRE para explicar suas metas, planos e políticas para reverter esse quadro. Essa transparência proativa nesse ponto estratégico gera valor reputacional e demonstra um compromisso genuíno com as boas práticas de governança e com as expectativas do mercado. A crescente demanda por diversidade no mercado financeiro reflete a compreensão de que a pluralidade de perspectivas e experiências contribui para uma gestão mais robusta, inovação e, em última instância, para a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Governança Corporativa
A estrutura de Governança Corporativa desempenha um papel crucial para as empresas, especialmente para as companhias abertas, que lidam com um número maior de stakeholders e têm maior exposição no mercado. Uma governança robusta é a base para a transparência, a prestação de contas, a equidade e a responsabilidade corporativa, elementos essenciais para atrair e reter investimentos.
Com relação a isso, o Estudo da MZ revela que 71,5% das 425 empresas analisadas que arquivaram o FRE 2025 declararam possuir Comitês instaurados. A instauração desses Comitês, como o de Auditoria, que é o mais recorrente (presente em 82,2% das empresas com comitês), fortalece a governança ao apoiar o Conselho de Administração com análises técnicas e especializadas, promovendo decisões mais seguras e transparentes. Sua atuação é fundamental para melhorar a gestão de riscos, reforçar a confiança do mercado e contribuir para a reputação da companhia.
Além dos comitês, a presença do Conselho Fiscal é outro pilar da governança. O estudo da MZ mostra que 48,2% das empresas analisadas informaram ter um Conselho Fiscal instaurado. Embora esse percentual seja significativo, ele indica que a adoção dessa prática ainda não está totalmente consolidada entre as companhias. No entanto, a implementação de mecanismos de governança voltados à supervisão e à transparência continua sendo uma recomendação fundamental para fortalecer a credibilidade e a integridade das operações.
Webinar Estudo Global do Formulário de Referência 2025
Com apoio da B3, do IBRI e do Acionista.com.br, a MZ realizou um webinar público para debater o Estudo e insights relevantes para as equipes de relações com investidores. O evento conduzido por Cássio Rufino, Sócio Executivo da MZ, contou com a participação de Anderson Assunção, presidente do Instituto Pactuá e Managing Director da Deerns, Jéssica Rosani, Gerente de Sustentabilidade da B3, Iris Barbosa, Vice-Presidente do Instituto Pactuá e Gustavo Carrijo, Head de RI da Tecnogera e Coordenador do CT-IBRI.
Jéssica Rosani realizou reflexões importantes relacionadas à temática ESG. Abordou o dado do Estudo da MZ de que 50,9% das informações ESG são auditadas, atribuindo a não proximidade dos 100% ao custo da asseguração externa, que é alto, e ao fato de não ser uma exigência regulatória. Destacou que as empresas estão em diferentes estágios de maturidade ESG, mas a expectativa é que esse número aumente com a exigência da CVM através do FRS. Sobre o IFRS S1 e S2, sua percepção é que não haverá um volume grande de relatórios no próximo ano, pois as empresas estão em fase de aprendizado.
Gustavo Carrijo abordou a importância da auditoria para os Formulários de Referência, considerada fundamental para o Head de RI, para trazer segurança e credibilidade para os investidores e para a própria empresa. Gustavo também apontou que o Formulário de Referência não é apenas um documento regulatório, e sim uma vitrine para a empresa, expondo diversas questões.
Iris Barbosa discutiu a baixa representatividade feminina e racial na liderança. Atribuiu a questão a fatores históricos, como a entrada tardia das mulheres no mercado de trabalho e as barreiras enfrentadas por pessoas negras. Mencionou que mulheres tendem a correr menos riscos e ter mais insegurança ao se candidatar a promoções. Criticou a ideia de “não achar negros capacitados”, associando-a a vieses e racismo estrutural, e ressaltou que a diversidade de gênero e raça traz melhores resultados. Apresentou o Instituto Pactuá, que atua no desenvolvimento de líderes negros da média gerência à alta liderança, por meio de mentorias e programas de desenvolvimento, visando quebrar a visão de “ser único”. Frisou a importância de as pessoas se indignarem com a falta de representatividade e agirem, seja individualmente ou em nível organizacional, para promover a mudança.
Anderson Assunção, presidente do Instituto Pactuá, corroborou a questão histórica da falta de diversidade, e destacou exemplos positivos em sua própria companhia, onde mulheres e pessoas negras representam volumes significativos na alta liderança e têm melhor percepção do clima organizacional. Argumentou que a diversidade traz inovação e soluções não óbvias. Apontou que muitas lideranças tomam decisões sem conhecer a realidade do seu público, defendendo que a diversidade interna é crucial para que a empresa “converse melhor com o mundo real” e não perca oportunidades. Defendeu que a transparência no Formulário de Referência, mesmo ao divulgar problemas, constrói reputação positiva, enquanto informações superficiais ou desalinhadas com a prática podem fragilizá-la e gerar desconfiança. Finalizou reiterando que as empresas, como organizações sociais, têm a capacidade de impactar a vida social e o mundo, e que os dados do estudo devem ser usados para melhorar essa entrega à sociedade.
Concluindo em um parágrafo ou mais
O Estudo Global do Formulário de Referência 2025 da MZ, ao analisar detalhadamente os documentos de 425 companhias abertas, oferece uma fotografia valiosa sobre a evolução das práticas de comunicação financeira no Brasil e destaca o protagonismo crescente da área de Relações com Investidores na estratégia corporativa. Os dados apresentados no estudo e debatidos em um webinar com o apoio da B3, do IBRI e do Acionista.com.br, que abordaram desde a adoção de práticas ESG, até a representatividade em conselhos e diretorias, em que ainda se observa sub-representação feminina e predominância de pessoas brancas, ressaltam a importância do Formulário de Referência como um instrumento multifacetado de transparência.
Ao garantir transparência, previsibilidade e qualidade na divulgação de informações, o profissional de RI não só cumpre com as exigências regulatórias, mas também atua como catalisador de confiança junto aos mercados de capitais. Em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e globalizado, o fortalecimento das práticas de RI se revela não apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade estratégica para as companhias que desejam se destacar e criar valor sustentável no longo prazo. O Formulário de Referência, com sua capacidade de expor detalhadamente a governança, os riscos, as projeções e os esforços em ESG e diversidade, como demonstrado pelo Estudo da MZ, emerge como uma referência obrigatória para as companhias e para o universo de RI, consolidando o seu papel na construção de reputação e valor no mercado.
Esperamos ter ajudado com informações sobre esse Estudo que consideramos um valioso para o conhecimento das companhias e para o universo de RI. Para saber mais sobre, clique aqui e acesse a página do Estudo. Para assistir ao replay do webinar do evento da MZ, clique aqui. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ
Cássio Rufino
CFO & COO
Assessoria de Imprensa
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Sobre a MZ
A MZ (www.mzgroup.com.br) é o maior player global independente e o líder em soluções de relações com investidores (RI).
A Companhia, fundada em 1999, ultrapassou a marca de 2.000 websites publicados, servindo atualmente mais de 800 empresas e gestoras de investimento em 12 bolsas de valores.
Com o propósito de empoderar estratégias de RI, a MZ entrega tecnologias inovadoras e atendimento excepcional aos clientes, assegurando parcerias de longo prazo.