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ANBIMA Summit 2025: Inovação, Fiscalização e Futuro do Brasil
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) destaca-se como a principal entidade que representa as instituições ativas nos mercados financeiro e de capitais no Brasil. Sua missão é fortalecer esse setor, buscando maior eficiência, transparência e segurança, o que, por sua vez, impulsiona o desenvolvimento econômico e social do país.
Anualmente, a ANBIMA realiza o ANBIMA Summit, seu evento de maior destaque e um dos mais relevantes encontros do mercado financeiro e de capitais brasileiro. Nos dias 25 e 26 de junho, a MZ teve o privilégio de participar da última edição, imergindo em debates que cobriram desde as grandes tendências globais até as inovações tecnológicas que estão redefinindo o cenário atual do mercado. Dando continuidade à cobertura do evento, a MZ traz novos insights sobre outro painel, como já fizemos em nosso primeiro artigo.
Fala, Autoridade: Reflexões do ANBIMA Summit com CVM e Banco Central
No palco do ANBIMA Summit, a palestra “Fala, Autoridade” reuniu duas das principais vozes do cenário econômico-financeiro brasileiro: João Pedro Nascimento, Presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e Nilton José Schneider David, Diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil. O encontro proporcionou insights valiosos sobre os desafios e as perspectivas do mercado.
Resolução CVM 175: Modernização da indústria de fundos
João Pedro Nascimento destacou a solidez do mercado de capitais brasileiro, posicionando o Brasil como um player relevante na América Latina. Nascimento também fez um panorama da posição do Brasil no cenário global de fundos de investimento. Ele mencionou que, de acordo com o último ranking da Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO), o Brasil era o quarto maior mercado de capitais do mundo sob a ótica dos fundos de investimento em 2021. No entanto, na versão mais recente do ranking, referente a 2022, o Brasil caiu para a sexta posição entre as indústrias de fundos. As principais razões para essa variação na colocação foram fatores cambiais e a participação de investimentos de varejo. Outro ponto relevante globalmente é o crescimento exponencial da indústria de fundos na China, que, inclusive, ultrapassou o Brasil nesse período.
Um dos pontos centrais de sua fala foi a Resolução CVM 175, um marco regulatório fundamental para a indústria de fundos de investimento no Brasil, publicada pela CVM em dezembro de 2022. A Resolução 175 representa uma atualização e consolidação significativa de diversas normas anteriores, buscando modernizar e aprimorar o ambiente de investimentos no país.
Embora reconheça uma tendência inicial de resistência do mercado à nova regulamentação, com mais 9 mil fundos não adaptados, o Presidente da CVM enfatizou a importância do diálogo contínuo e da escuta ativa. Desde que a Resolução CVM 175 entrou em vigor, o mercado de fundos de investimento passou por uma transformação significativa. Nesse período, 6.440 novos fundos foram criados e cerca de 16.852 fundos existentes foram adaptados, totalizando 71,4% de fundos adaptados às novas diretrizes da resolução. A adaptação, segundo ele, ocorreu conforme a necessidade, reiterando o compromisso da autarquia em manter um canal aberto com os participantes do mercado.
A adaptação às novas regras apresenta três desafios principais:
- A necessidade de novos arranjos comerciais e operacionais entre prestadores de serviços;
- O aprimoramento dos sistemas tecnológicos para maior eficiência regulatória, e
- As adequações necessárias em função da reforma tributária.
Banco Central e o papel do Pix como ferramenta estratégica
Por sua vez, Nilton José Schneider David, do Banco Central, abordou o papel da ANBIMA na disseminação do conhecimento sobre o mercado financeiro e a função do próprio Banco Central na elaboração de normas e na gestão de recursos.
Ao abordar as soluções que impulsionam o sistema financeiro, o diretor ressaltou o papel central do Pix. Sua natureza econômica e inclusiva permite atender a um vasto público – de indivíduos a corporações e órgãos governamentais –, ao mesmo tempo em que promove uma redução notável nos custos operacionais. Segundo David, o Pix se estabelece como um pilar essencial para a competitividade no setor de pagamentos. Entre as principais iniciativas, foi destacado:
- Pix Automático – pagamentos recorrentes com agilidade e baixo custo;
- Pix Parcelado – em desenvolvimento, ampliando o acesso a crédito e consumo;
- Expansão por aproximação – integração tecnológica para facilitar transações.
Nilton David destacou o cenário de juros elevados, mas fez questão de ressaltar a resiliência da economia brasileira. Ele apontou o dinamismo do mercado e a contínua criação de empregos como fatores positivos, evidenciados pela taxa de desemprego em maio de 2025, que atingiu 6,2% — o menor índice para o período desde 2012.
Além disso, o diretor enfatizou a importância da comunicação eficaz do Banco Central. Para David, a instituição não deve se limitar às suas funções regulatórias e de controle da inflação. É fundamental que o Banco Central seja didático e transparente, explicando claramente suas ações e decisões. Essa postura é essencial não só para prevenir golpes financeiros, mas também para construir e fortalecer a confiança da população nas medidas que impactam diretamente seu dia a dia e o futuro econômico do Brasil.
Equilíbrio Fiscal no Brasil: Questão de Governo ou de Estado? – Reflexões do ANBIMA Summit
O painel “Equilíbrio fiscal no Brasil: questão de governo ou de Estado?” no ANBIMA Summit trouxe à tona um debate fundamental sobre a saúde financeira do país. Com a participação de Ana Vescovi (Santander), Carlos Kawall (Oriz) e Eduardo Giannetti (Autor), a discussão transcendeu a conjuntura política para abordar as raízes estruturais do desafio fiscal brasileiro.
A raiz do problema fiscal brasileiro
O ponto de partida foi claro: o brasileiro, em grande parte, desconhece o quanto paga em impostos e para onde esse dinheiro é direcionado. Embora os palestrantes tenham ressaltado que o país não está atualmente em uma emergência fiscal, a mensagem é de que é imperativo agir proativamente para evitar uma crise futura, dado que o Brasil gasta mais do que arrecada.
De acordo com os palestrantes, as pioras fiscais acontecem no mercado internacional desde a crise de 2008 e piorou diante da pandemia. No Brasil, pesquisas indicam que a carga tributária bruta tem se mantido em torno de 33% do PIB nos últimos anos. Esta cifra reforça a ideia de que o problema fiscal é de Estado, crônico, e atravessou diversos períodos políticos, como apontado pelos palestrantes.
A Lei de Say (“a oferta cria sua própria demanda”) foi adaptada para o contexto fiscal brasileiro como “a arrecadação gera sua própria despesa”, sugerindo que o aumento da arrecadação frequentemente leva a um aumento proporcional dos gastos.
Rigidez orçamentária e sugestões para o futuro
Os palestrantes mencionaram elementos que contribuem para a rigidez dos gastos, como a indexação dos benefícios sociais ao salário-mínimo e os pisos que estabelecem gastos mínimos em setores como saúde. Exemplos práticos, como a não conversão dos royalties do petróleo (e bônus do pré-sal) em melhorias na educação, e os gastos tributários (como os da Zona Franca de Manaus), ilustram como despesas específicas limitam a flexibilidade orçamentária do país.
A eficiência dos gastos foi amplamente criticada, com a afirmação de que o Brasil está longe de ser eficiente nessa área. Foi destacado que 50% dos lares brasileiros não têm coleta de esgoto e que, na educação, há uma deficiência na formação de capital humano, evidenciando que o Estado não atende às necessidades básicas dos brasileiros em áreas essenciais como saneamento, educação, saúde e segurança pública.
Para os palestrantes, é fundamental mudar o desenho dos programas sociais para que sigam a dinâmica da sociedade e melhorem a distribuição de renda, priorização de gastos por parte do governo.
A solução, segundo os especialistas, reside em ir à origem do problema: uma nova abordagem à indexação dos gastos públicos. A natureza deficitária das contas públicas sugere que, sem mudanças, haverá a necessidade de um aumento persistente da carga tributária, o que sufocaria as empresas e a economia. A percepção é que o Brasil precisa entender a urgência do corte e da priorização de despesas.
Concluindo em um parágrafo ou mais
As discussões no ANBIMA Summit 2025, com foco nos painéis “Fala, Autoridade” e “Equilíbrio Fiscal no Brasil: Questão de Governo ou de Estado?”, convergiram para a necessidade urgente de um olhar estratégico e integrado sobre o desenvolvimento econômico-financeiro do país.
O mercado de capitais, como principal mecanismo de coordenação de recursos, foi reafirmado como essencial para o crescimento, conforme destacado pelo Presidente da CVM, João Pedro Nascimento. A modernização trazida pela Resolução CVM 175 e o esforço de adaptação do setor de fundos demonstram a busca por um ambiente mais robusto e transparente, apesar dos desafios de implementação e da queda temporária no ranking global de fundos. A relevância do agronegócio e das empresas não financeiras como beneficiárias do mercado de capitais é um sinal positivo da diversificação das fontes de financiamento no país.
Paralelamente, a atuação do Banco Central, apresentada por Nilton José Schneider David, evidenciou o compromisso com a inovação e a inclusão financeira, com o Pix consolidando-se como um pilar de competitividade e eficiência. A resiliência da economia, mesmo em um cenário de juros elevados, e a importância da comunicação clara do Banco Central para a população, reforçam a necessidade de confiança e entendimento mútuo entre as instituições e os cidadãos.
No entanto, o painel sobre o equilíbrio fiscal trouxe uma dose de realidade. A percepção de que o brasileiro não sabe para onde vão seus impostos, a constante situação de “gastar mais do que arrecada” e a alta carga tributária (em torno de 33% do PIB) ressaltam um problema fiscal crônico e estrutural. A ineficiência nos gastos públicos, evidenciada pela falta de acesso a serviços básicos como saneamento e educação de qualidade, demonstra que o Estado não consegue entregar o retorno esperado pela sociedade, apesar da significativa arrecadação.
A conclusão é que o desafio fiscal não é meramente conjuntural ou político, mas sim de Estado. Resolver essa questão exige uma nova abordagem para a indexação dos gastos públicos, com prioridade para o corte de despesas ineficientes e a redefinição de programas sociais. Somente com um governo que priorize gastos e uma gestão fiscal responsável, aliada a um mercado de capitais cada vez mais eficiente e transparente, o Brasil poderá assegurar um ciclo virtuoso de prosperidade e desenvolvimento que, de fato, beneficie toda a população.
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